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Page history last edited by Fernanda Ledesma 9 years ago

"Nos passos de Magalhães"


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10º C

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Apresentação Gráfica

 

 


Pesquisas do Grupo

 

Constituição do Grupo:

  • Afonso Quaresma

  • Gonçalo Rosa

  • Tiago Silva


CAPÍTULO VI: PACÍFICO
O LUGAR DO MAR 
Aproveitando o local geográfico em que se encontra, Gonçalo Cadilhe pretende abstrair-se por uns dias do seu cansativo projeto (que, mais recentemente o obrigou a atravessar parte da Patagónia e a região do Estreito de Magalhães), e viaja agora para Valparaíso, Chile (por onde Magalhães também passou).
Durante a estadia na cidade, o escritor decide visitar o lar de Pablo Neruda, (famoso poeta do século XX, natural daquele país). Neruda era um amplo colecionador de muitas coisas antigas das coisas, para Cadilhe, se destacam os mapas antigos relativos às "Terras Magalhânicas". Assim, o poeta faz com que Cadilhe não se consiga esquecer de Fernão de Magalhães por aqueles breves momentos de descontração.

Gonçalo Cadilhe lembra-se agora do um pequeno monumento que encontrou à entrada do Estreito, uma nau que apontava para a tal passagem. Com isso, também recorda a placa que esclarece o sentido daquela aparentemente insignificante construção: o início da descoberta do Chile foi feito ali pelo Sul (através das Terras Magalhânicas), por parte do capitão da expedição. Assim, esta acaba por chamar a atenção para a importância daqueles territórios na fundação do Chile, atuando como um protesto contra o isolamento e a falta de apoios a que as regiões Magalhânicas têm sido sujeitas.

Nos séculos posteriores à viagem do navegador português, o Estreito que ele próprio baptizou de "Canal de Todos os Santos" (adquirindo poucos anos depois o nome que mantém até Hoje), manteve o seu isolamento e adquiriu uma fama conotada negativamente: a dificuldade e a imprevisibilidade de efectuar a sua travessia fez com que, futuramente, muito poucos navegadores a conseguissem executar. Depois, a rota do Estreito não será mais lembrada pelos europeus: nunca ninguém o irá tentar navegar novamente.

Vendo bem, a descoberta daquela passagem improvável que liga dois oceanos, levou a que a expedição de Magalhães tivesse de passar um Inverno na Patagónia, desfizesse uma nau e perdesse algumas vidas. Gonçalo Cadilhe elogia Magalhães pelo sua perseverança, que permitiu o estabelecimento de um dos maiores feitos de navegação de sempre.
O escritor declara, na semana antes da visita da casa de Neruda, ter viajado com o capitão Manuel Veja Moro a bordo de um cargueiro chamado "Navimag", que permite a ligação entre Punta Arenas e Puerto Montt. A navegação pelas águas das terras magalhânicas presentes nos mapas do poeta Chileno durou quatro dias e deu ocasião a que Cadilhe ficasse a saber que, em sete anos de travessias do Estreito, o piloto que o guia encontrou bom tempo no lado do Pacífico apenas uma única vez. Este testemunho de Moro contrasta com o de Magalhães: quando chegou à desembocadura do maior oceano do planeta, apanhou condições marítimas calmas, o que o levou a dar-lhe o nome que subsiste até ao presente: Pacífico, como já foi dito.
Após a já falada travessia, a expedição navegou pela costa chilena acima, até a uma altura mais ou menos correspondente a Valparaíso (onde o escritor se encontra). Aí , virou a proa a Oeste (afastando-se da América do Sul), impulsionando-se para a travessia de um oceano imenso e desconhecido.

 

 

NA MICRONÉSIA 

Gonçalo Cadilhe recorda-se de um dos momentos mais agradáveis da sua vida: a travessia do Pacífico, que durou algumas semanas do Outono de 2003. Esta foi feita num grande cargueiro de nome "Tasman Adventurer".
Nessa viagem de solidão entre uma atmosfera cem porcento industrial, a leitura era uma das poucas coisas que o fazia esquecer de todas as centenas de milhares de toneladas de material industrial que viajavam com ele. O escritor lia assim um livro do neozelandês John Chambers, sobre a história do mais extenso oceano terrestre. Surpreendentemente, foi Chambers que chamou a atenção de Cadilhe para Magalhães que, naquele livro, aparecia elogiado como sendo um dos maiores navegadores de sempre. E, resultado deste acontecimento, o projeto que levou ao livro que estamos a tratar, surgiu.

A Micronésia, para o explorador português, era assim: "Naveguem desde o Chile três meses e dez dias, depois virem à direita." 

Três meses e dez dias é muito tempo: muitos membros da expedição morreram durante esse tempo, vítimas da fome, da sede, do escorbuto. Na verdade, Fernão de Magalhães não esperava enfrentar um oceano tão vasto. No entanto, mesmo que conhecesse a sua real extensão, o navegador teria, provavelmente, seguido em frente na mesma: era imprescindível regressar a Espanha em glória, com o cumprimento imaculado da sua missão (alcançar as Molucas pelo mar do Oeste e provar que se encontram no lado espanhol do tratado de Tordesilhas). É de salientar que Magalhães já encontrava a sua reputação na corte castelhana bastante fragilizada pelo motim de Cartagena na Patagónia e pela deserção de Gomes no Estreito. 

Durante o Inverno na "terra dos patagões", o navegador acabou com a vida dos principais oficiais da armada, todos eles castelhanos e envolvidos no tão afamado motim. O capitão Cartagena, provável filho do arcebispo de Burgos (homem com grande influência na corte castelhana e responsável pelas questões ultramarinas do Reino), encontra-se entre os executados.

Numa altura posterior, aquando da travessia do Estreito, uma das naus abandona a expedição e volta ao local de onde saiu. Estêvão Gomes, compatriota de Magalhães e piloto da nau "San Antonio", trai o navegador: quando este avança para fazer o reconhecimento da costa sul do Estreito, convence os marinheiros da sua embarcação a desertar. A inveja nua e crua poderá ter motivado esta atitude.

O capitão português está certo de que os que abandonaram a expedição não irão contar a verdade sobre a sucessão de acontecimentos que os fez abandonar a viagem em que seguiam. Deturparão, talvez, a viabilidade do Estreito, ou até mesmo inventarão a sua versão relativa ao motim na Patagónia. O esperado acontece: a 6 de Maio de 1521, seis meses após a deserção, a "San Antonio" regressa a Sevilha, calunia e queixa-se de Magalhães. O arcebispo de Burgos não gosta do que ouve e chegará a colocar a esposa e o filho bebé de Magalhães sob prisão domiciliária.

É de salientar que a nau onde os desertores voltaram à Pátria era a que abastecia, com a maior parte dos mantimentos, a expedição. O seu abandono acaba por deixar quem se encontra num dos três navios sobreviventes numa situação frágil. Todavia, uma estimativa aponta para cerca de duas semanas, no máximo, para completar a travessia ao Pacífico, apesar de ninguém saber as suas verdadeiras dimensões. Se assim for, existe comida suficiente para combater a fome, até ao desembarque. O que Magalhães não contava era ter-se enganado na verdadeira dimensão da Terra: ela é um terço maior do que o que ele imagina. Com esta constatação, todo o seu prognóstico se revelou inválido.

A rota escolhida pelo navegador para atravessar o maior oceano do planeta era ideal no que toca a correntes, ventos e latitude. No entanto, passava ao lado de muitas ilhas, ideais ao desembarque e ao abastecimento das naus. A tripulação acaba por se ver obrigada a comer o couro das amarras, serradura e ratos. Isto levará à morte de cerca de um décimo dos duzentos marinheiros que a constituíam, por questões de subnutrição e escorbuto.
No dia 6 de Março de 1521, as naus avistam terra. Magalhães e a sua expedição, apesar de ainda não terem atravessado por completo todo o Pacífico, tornam concreta a realização da maior viagem marítima já realizada (sensivelmente de um ano e nove meses, até ao momento). Todos, exaustos física e emocionalmente, ancoram num grupo de ilhas habitadas, a cerca de 13º a norte do Equador. É descoberto para a Europa a existência do arquipélago das Marianas, na Micronésia.

 

 

CHOQUE CULTURAL EM GUAM 

O escritor chega a Guam (ilha pertencente ao arquipélago das Marianas) com a ideia de que, se não fosse no âmbito da vida de Magalhães, nunca visitaria tal sítio. Mais tarde, aluga um carro no aeroporto, o qual o irá levar até a um motel, onde ficará hospedado. Durante a condução, são vistas várias coisas: as ruas sem peões e apenas com automobilistas, arranha-céus, hotéis de cinco estrelas e o maior centro K-Mart do mundo, para além de uma quantidade quase infinita de diferentes sucursais de grandes cadeias alimentares mundiais. Mal chega ao lugar onde irá permanecer enquanto a sua estadia em Guam se desenrola, o escritor senta-se na cama, vítima de uma ausência de estímulos, provocado pelo calor e pelo fuso horário.

Ao desembarcar no país onde agora se encontra, Cadilhe vê-se no meio de uma excursão de japoneses e acaba por dar de caras com uma espécie de "luna park" do mar, que vai contra ao que o escritor pensava que aquilo iria ser: um paraíso ancestral ligeiramente moderno, protegido pelo Pacífico.

Obedientemente, a excursão segue o programa previsto, que culmina na visita a um monumento erguido a Magalhães. Aí, o escritor reencontra-a. A baía de Umatac, onde está visível aos olhos de todos algo parecido com um pilar de cimento erguido em honra ao navegador português, assume uma enorme importância histórica: foi nesse local que os Chamorros (nativos de Guam) se apresentaram aos europeus, e vice-versa.

Pigaffeta (o cronista oficial da expedição) e Francisco Albo (o piloto grego) falam ambos de uma multidão de nativos que saem da baía de Umatac, em direção às três naus comandadas por Magalhães, navegando. Estes deslocavam-se em pirogas leves e muito rápidas, com um estabilizador e uma vela triangular. As Marianas são assim batizadas como as "Ilhas das Velas Latinas". Os Chamorros acabam por subir a bordo sem qualquer medo, e oferecem alimentos frescos aos marinheiros. Seguidamente, iniciam a ingénua recolha de tudo o que lhes atrai a atenção, como o bote da "Trinidad", a nau do capitão-general. Aquele pedaço de terra cercado por mar irá ficar assim conhecido, como a "Ilha dos Ladrões", nos seguintes 150 anos à sua descoberta.
Felizmente, o navegador português e o resto da tripulação conseguiram expulsar das embarcações os habitantes locais. No dia a seguir, o líder da expedição, por não ter gostado minimamente do atrevimento dos nativos, envia um grupo de homens para castigar os insolentes, bem como para recuperar as suas posses roubadas.

Desta punição resultaram muitas mortes (sobretudo de Chamorros). Também os ilhéus de Guam foram destruídos e os seus bens alimentares roubados.

Um dia mais tarde, os "índios" regressam às naus, oferecendo alimentos, confraternizado, trocando objectos de pouco valor. Em adição, os marinheiros são informados através de gestos da rota em direção à próxima ilha habitada, chamada "Selan".
No quarto dia de permanência nas Marianas, todos estão prontos para partir. Na altura da despedida, os nativos acompanham as naus, nas suas pirogas: num minuto, oferecem peixe e fruta, noutro apedrejam os visitantes. Ainda choram e rogam pragas, enquanto que algumas mulheres arrancam os cabelos, gritando desesperadas. Cadilhe admite não entender a sucessão de acontecimentos decorridos neste importante capítulo da História: a primeira passagem europeia em Guam. 

O escritor volta ao motel, esperando o seu próximo voo para "Selan" que, geograficamente, equivale às actuais Filipinas.

 

 

A TERRA É REDONDA

 O navegador português acordara com Carlos V que, a partir da sexta ilha descoberta ao serviço de Espanha, poderia escolher uma delas e ter direito à quinzena parte de todos os proveitos, juros de renda e direitos de lá possíveis retirar.

Ironicamente, Fernão de Magalhães descobre um arquipélago com 7000 ilhas, as actuais Filipinas, que o próprio baptizou como "Ilhas de São Lázaro": a poucos dias da Páscoa, a tripulação da expedição, assim como o Lázaro do Novo Testamento, ressuscitam de uma morte quase a acontecer. Esta mesma é a primeira travessia (de sempre) ao Oceano Pacifíco. Será igualmente nesse arquipélago que Magalhães ficará conhecido por ter feito a constatação da esfericidade do globo. 

A 16 de Março de 1521, a expedição chega à costa oriental de Samar, uma das imensas ilhas do arquipélago. Sem condições propícia ao desembarque, continua a navegar para Sul, até que chega à ilha  de Homonhon. Aí, durante uns dias, os marinheiros põem os pés na terra e recuperam forças. Nove dias depois, fazem-se novamente ao mar. Após três noites em viagem, chegam a Limasawa, outra das ilhas do arquipélago.
Já nas Filipinas, mais propriamente em Cebu, Gonçalo Cadilhe prepara-se para se dirigir a Limasawa. Na sua viagem rumo a esta terra, o escritor é surpreendido pela facilidade, segurança e tranquilidade da navegação inter-ilhas, quando viaja de "ferry" até Leyte. Um autocarro, um "jeepney" (uma espécie de carro para transporte de bagagens adaptado), um riquexó artesanal (veículo de duas rodas puxado por uma pessoa) e uma insegura piroga ajudam-lhe a chegar à ilhota pretendida. O autor de "Nos Passos de Magalhães" nota as grandes desigualdades populacionais naquele país.

Magalhães e a sua tripulação, foram bem recebidos em Limasawa, com os nativos (que se aproximavam em pirogas) e se dirigiam aos europeus através da força das palavras. Inacreditavelmente, os europeus entenderam o que os locais iam mencionando. A partir daí, tentara também eles expressar-se na língua daquela região. Na base deste mútuo entendimento verbal está Enrique, o escravo oriental do capitão-general, que provavelmente teria nascido nas Filipinas e sido raptado por navegadores em miúdo, para se tornar escravo em Malaca. É deste modo que o cativo surpreende tudo e todos. 
Ao chegar à ilha onde tudo isto se passou, o escritor garante ser o local onde mais se emocionou na sua odisseia à volta do mundo. Cadilhe revela também a beleza externa e extrema da mesma.

 

 

O PRIMEIRO DIA 

Foi em Limasawa que se deu a primeira cerimónia diplomática entre a Europa e o Extremo-Oriente pelo caminho do Ocidente. A cerimónia respeitou as diferenças culturais e a soberania de cada um dos povos envolvidos nesta: numa mão temos um ritual nativo que, apesar de não ter agradado minimamente aos europeus, é executado de uma forma convicta; noutra mão temos um ritual europeu que os nativos tiveram de cumprir, mesmo sem conhecermos a sua opinião em relação ao mesmo.

Os habitantes da ilha fazem um pacto de sangue, o qual envolve os dois representantes máximos de cada uma das partes implicadas. Por conseguinte, Magalhães e o rei Colambu fazem um leve corte no peito, vertem um pouco do seu sangue para uma taça com vinho de palma, misturam tudo e bebem.

A cerimónia da Armada das Molucas tem o nome de santa missa católica, apostólica, romana. Com um carácter importantíssimo, a missa de Páscoa celebra a Ressurreição de Cristo e, naquela altura, a ressurreição de todos os que viajavam com o navegador português, após terem concluído a travessia do Pacífico. No ilhéu, o capitão general ergue uma cruz e alça bandeiras. Os canhões estrondeiam, simulam-se torneios de espadas, leitões são assado. Rapidamente, o cristianismo passa a fazer parte das Filipinas. Hoje, neste país, Magalhães é amado por alguns filipinos (introduziu o catolicismo naquelas ilhas) , odiado por outros (chegou à ilha  e apoderou-se de tudo, sem dar a mínima justificação a ninguém).

Cadilhe movimenta-se em direção a uma réplica da cruz europeia erguida numa colina, no dia 31 de Maio de 1521. Depois de algum esforço na subida desta elevação, a paisagem vista daquela altura domina por completo o escritor. De ali de cima, é possível ver uma mão-cheia do que parecem ser uma espécie de cabanas reunidas junto ao "santuário da primeira missa" (local no ilhéu com estátuas de barro e quadros relativos ao desembarque da Armada das Molucas), de nome "barangay" Magallanes. Tudo o que vive ali mostra ser tremendamente simples, primitivo, sem nenhuns luxos. 
Sentado na colina da cruz, o escritor relembra um engraçado episódio.  Em Limasawa, Pigafetta (cronista e embaixador da Santa Sé na expedição), por ser o elemento mais dispensável, é seleccionado para representar o navegador português num jantar organizado pelo rei Colambu no "barangay", numa Sexta-Feira Santa. Sentindo-se obrigado a desempenhar eficazmente o seu papel de embaixador, come um prato com porco, feito em sua honra. Este homem ficará com a consciência pesada, quando voltar à Europa. 

 

 

 

CONTRARIAR O DESTINO EM CEBU 

Em Limasawa, o rei Colambu mostra-se disponível, de bom grado, para acompanhar os europeus a qualquer um dos principais portos daquela área: Seylani, Calagan e Cebu. O capitão-general da Armada das Molucas mostra-se mais interessado em visitar este último, considerado o mais importante e cosmopolita de todos.

Em Cebu agora, Cadilhe faz esta travessia inter-ilhas com o auxílio de transportes públicos. 

Magalhães chega ao ilhéu sem intenções bélicas, apenas pretende difundir o cristianismo pela população, para além fazer comércio com os locais. O primeiro objectivo é rapidamente assegurado: vários notáveis daquele lugar (como o rajá Humabon, a sua esposa, e a princesa) convertem-se à religião carregada pelas naus. Outros 800 voluntários abraçam as novas crenças. De modo a consolidar todo este processo, o navegador português cura milagrosamente um doente em fase terminal, pela transmissão de energia, fé e marmelada.

Nos dias seguintes ao baptismo de Humabon, quase todos os nativos se convertem voluntariamente àquela nova religião, levada aos confins do mundo pela expedição. A pacificidade europeia na cristianização é minimamente suspeita, no que toca sobretudo ao capitão-general, habituado a matar para defender e difundir a sua religião. Esta conversão parece ter-se transformado no principal objectivo de toda a expedição.  

Desde que estabelece o contacto inicial com as Filipinas, o navegador português sabe que, onde quer que estejam as Molucas, estão mais para a frente, na metade portuguesa do globo. Ao contrário do pensado, Espanha não tem direito às Ilhas das Especiarias. O argumento fulcral que motivou toda aquela expedição cai por água abaixo. A honra do capitão-general da Armada das Molucas deixou de existir. Talvez por isso, procurando evitar uma humilhação em frente ao Imperador.

Porém, uma cláusula no tratado de Tordesilhas afirma que o direito de ocupação sobrepõe-se ao direito de localização, em terras antes não conhecidas, sem interessar as suas coordenadas. A cristianização e a ocupação espanhola de uma considerável parte das Filipinas, possivelmente explicariam o propósito de toda a viagem. A mesma condição é aplicável às Molucas: não reclamadas, até ao momento, pelos portugueses. Se a perda da dignidade do navegador era um dado adquirido, pelo menos que a expedição atinja o sucesso.
Quando o rajá de Cebu se queixa de alguns dos seus príncipes súbditos não lhe obedecerem, Magalhães imediatamente age: quem não aceitar a chefia suprema de Humabon, irá sofrer as consequências. Lapu-Lapu, o chefe político da ilha de Mactan (também nas Filipinas), mostra não ter medo: que o capitão-general português o venha castigar.
 

 

 

MORTE DE MAGALHÃES 

Psicologicamente, Magalhães era indecifrável. Nem com Pigafetta, seu leal admirador, este homem deixava de ser tão sombrio e silencioso. Na século em que nos encontramos, é possível saber com bastante precisão a maior parte do que realizou em vida mas muito pouco do porquê do o ter feito.
De todas estas incertezas, o navegador revela ser alguém comedido, cauteloso, perspicaz e prático. Não se entende então a sucessão de erros que levaram ao massacre de Mactan: confiança a mais, descuido excessivo, desprezo pelo inimigo, falta de preparação e gabarolice, entre outros.

Lapu-Lapu, ao recusar-se a seguir Humabon (que aceita prestar obediência imperador espanhol) e a abraçar a religião cristã constitui, na ótica de do capitão-general português,uma afronta inadmissível ao princípios europeus que estavam a ser difundidos no arquipélago. O chefe político de Mactan terá de ser castigado. O rajá de Cebu tenta ainda demover o navegador de responder à provocação de Lapu, mas as suas intenção bélicas mantêm-se bem presentes no seu imaginário.

Cadilhe alcança Mactan pouco tempo depois da madrugada, e visita o palco do confronto que culminou na morte de Magalhães: uma prainha, com o formato de uma baía, banhado por um lençol de água cercado de mangais (árvores), perfeita para uma emboscada. O escritor acha aquele local deprimente, sem brilho e com formas irregulares. 

Por consequência do enorme calor que se faz sentir, este homem procura uma sombra. Acaba por encontrá-la num monumento ligado à conflito de Mactan. Na verdade, com exactidão, existem três monumentos: algo parecido com um obelisco, uma estátua de Lapu-Lapu e uma espécie de palheiro, onde Cadilhe se esconde, de modo a combater a elevada temperatura. Nas paredes dessa estrutura é visível, através de uma pintura, a conjugação da globalização (os europeus) com o regionalismo (os nativos): o início da batalha de Mactan.

O massacre dos viajantes era mais do previsível. Por volta de 50 europeus desprotegidos lutavam contra centenas de indígenas, no seu território. Pigafetta caracteriza o português como um ser teimoso e digno de heroísmo que, quando entende que irá perder o conflito, dá ordem de retirada, no entanto fica na frente de combate a proteger a mesma. O escritor afirma que esta atitude não teve nenhuma vantagem, e que foi apenas sacrificial, bem como voluntariamente terminou com a vida de Magalhães. O navegado perde a vida assassinado, num batalha contra uma enorme quantidade de nativos, morte esta digna de um herói, mas sacrifical e sem necessidade alguma. Por esse facto, muitos historiadores apontam-na como um "suicídio".

Restam apenas algumas horas de sol, até anoitecer. Cadilhe regressa ao hotel, prepara a bagagem e apanha um táxi em direcção ao aeroporto, que o levará de volta a casa. O projecto da vida de Magalhães termina, após mais de meio ano em viagens.

Comments (1)

ana.sancho@djoaoii.com said

at 9:19 am on Apr 8, 2013

Jovens, estive a rever o vosso trabalho e a corrigir algumas frases. Cuidado com a forma como vão lidar com esta informação toda. Organizem dois grupos - MAGALHÃES e CADILHE E SEPAREM "AS COISAS". Há aqui inúmeros pormenores que vocês não vão escrever!! Podem falar de algumas destas curiosidades, mas façam seleção!

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