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Saved by Gonçalo Rosa
on April 9, 2013 at 12:43:11 pm
 

Não há aqui nada!!

O que se passa?

Ana Sancho

 

Constituição do Grupo:

  • Afonso Quaresma; Nº:1

  • Gonçalo Rosa;Nº:10

  • Tiago Silva; Nº:28


CAPÍTULO VI: PACÍFICO
O LUGAR DO MAR
Aproveitando o local geográfico em que se encontra, Gonçalo Cadilhe pretende abstrair-se por uns dias do seu cansativo projeto (que, mais recentemente o obrigou a atravessar parte da Patagónia e a região do Estreito de Magalhães), e viaja agora para Valparaíso, Chile (por onde Magalhães também passou).
Durante a estadia na cidade, o escritor decide visitar o lar de Pablo Neruda, famoso poeta do século XX, natural daquele país. O fato da casa-museu de Neruda possuir vários "brinquedos", que se encontram organizados numa ampla e variada coleção (bússolas, quadros, máquinas de escrever, mapas antigos, entre outros), faz com que Cadilhe não se consiga esquecer de Fernão de Magalhães por aqueles breves momentos de descontração.

Previamente ao estabelecimento dos alicerces do que agora é a Argentina e o Chile, existia já um vasto território denominado "Terras Magalhânicas" (localizadas para lá do fim do mundo conhecido na Era dos Descobrimentos). Após Magalhães ter tocado nestas, as mesmas foram abandonadas durante um longo período de tempo, o qual durou até ao final do século XIX: aí, surgiu a iminente necessidade de assegurar a soberania desta extensa área por parte das duas nações sul-americanas. Contudo, os seus habitantes é que não se revêem no modo de ser da sua pátria: o poder central, lá presente, rebaixa-os - diz, em Punta Arenas e por outras palavras, o professor universitário Danilo Tobar, que fala pela população quando afirma que o melhor seria criar uma espécie de estatuto autónomo transfronteiriço, naquele lugar.
Gonçalo Cadilhe lembra-se agora do um pequeno monumento que encontrou à entrada do Estreito, uma nau que apontava para a tal passagem. Com isso, também recorda a placa que esclarece o sentido daquela aparentemente insignificante construção: o início da descoberta do Chile foi feito ali pelo Sul (através das Terras Magalhânicas), por parte do capitão da expedição. Assim, esta acaba por chamar a atenção para a importância daqueles territórios na fundação do Chile, atuando praticamente como um protesto contra o isolamento e a falta de apoios a que as regiões Magalhânicas têm sido sujeitas.

Nos séculos posteriores à viagem do navegador português, o Estreito que ele próprio batizou de "Canal de Todos os Santos" (adquirindo poucos anos depois o nome que mantém até Hoje), manteve o seu isolamento e adquiriu uma fama conotada negativamente: a dificuldade e a imprevisibilidade de efetuar a sua travessia fez com que, futuramente, muito poucos navegadores a conseguissem executar. Depois, a rota do Estreito não será mais lembrada pelos europeus: nunca ninguém o irá tentar navegar novamente.

Vendo bem, a descoberta daquela passagem que liga dois oceanos, levou a que a expedição de Magalhães tivesse de passar um Inverno na Patagónia, desfizesse uma nau e perdesse algumas vidas. Gonçalo Cadilhe elogia Magalhães pelo sua perseverança, que permitiu o estabelecimento de um dos maiores feitos de navegação de sempre.
O escritor declara, na semana antes da visita da casa de Neruda, ter viajado com o capitão Manuel Veja Moro a bordo de um cargueiro chamado "Navimag", que permite a ligação entre Punta Arenas e Puerto Montt. A navegação pelas águas das terras magalhânicas presentes nos mapas do poeta Chileno durou quatro dias e deu ocasião a que Cadilhe ficasse a saber que, em sete anos de travessias do Estreito, o piloto que o guia encontrou bom tempo no lado do Pacífico apenas uma única vez. Este testemunho de Moro contrasta com o de Magalhães: quando chegou à desembocadura do maior oceano do planeta, apanhou condições marítimas calmas, o que o levou a dar-lhe o nome que subsiste até ao presente: Pacífico, como já foi dito.
Após a já falada travessia, a expedição navegou pela costa chilena acima, até a uma altura mais ou menos correspondente a Valparaíso (onde o escritor se encontra). Aí , virou a proa a Oeste (afastando-se da América do Sul), impulsionando-se para a travessia de um oceano imenso e desconhecido, até a altura.


NA MICRONÉSIA

Gonçalo Cadilhe recorda-se de um dos momentos mais agradáveis da sua vida: a travessia do Pacífico, que durou algumas semanas do Outono de 2003. Esta foi feita num grande cargueiro de nome "Tasman Adventurer", matriculado em St.Johns ( uma pequena ilha na costa atlântica do Canadá).
Nessa viagem de solidão entre uma atmosfera cem porcento industrial, a leitura era uma das poucas coisas que o fazia esquecer de todas as centenas de milhares de toneladas de mecânica, ferro, mercadorias, óleo e carburante, que partilhavam o mesmo ambiente que ele, em pleno mar. O escritor lia assim um livro do neozelandês John Chambers, sobre a história do mais extenso oceano terrestre. Surpreendentemente, foi Chambers que chamou a atenção de Cadilhe para Magalhães que, naquele livro, aparecia elogiado como sendo um dos maiores navegadores de sempre. E, resultado deste acontecimento, o projeto que levou ao livro que estamos a tratar, surgiu.

O autor de "Nos Passos de Magalhães" encontra-se agora na Micronésia que, para o explorador português, era assim: "Naveguem desde o Chile três meses e dez dias, depois virem à direita." 

Três meses e dez dias é muito tempo: muitos membros da expedição morreram durante esse tempo, vítimas da fome, da sede, do escorbuto. Na verdade, Fernão de Magalhães não esperava enfrentar um oceano tão vasto. No entanto, mesmo que conhecesse a sua real extensão, o navegador teria, provavelmente, seguido em frente na mesma: era imprescindível regressar a Espanha em glória, com o cumprimento imaculado da sua missão (alcançar as Molucas pelo mar do Oeste e provar que se encontram no lado espanhol do tratado de Tordesilhas). É de salientar que Magalhães já encontrava a sua reputação na corte castelhana bastante fragilizada pelo motim de Cartagena na Patagónia e pela deserção de Gomes no Estreito. 

Durante o Inverno na "terra dos patagões", o navegador acabou com a vida dos principais oficiais da armada, todos eles castelhanos e envolvidos no tão afamado motim. O capitão Cartagena, provável filho do arcebispo de Burgos (homem com grande influência na corte castelhana e responsável pelas questões ultramarinas do Reino), encontra-se entre os executados.

Numa altura posterior, aquando da travessia do Estreito, uma das naus abandona a expedição e volta ao local de onde saiu. Estêvão Gomes, compatriota de Magalhães e piloto da nau "San Antonio", trai o navegador: quando este avança para fazer o reconhecimento da costa sul do Estreito, convence os marinheiros da sua embarcação a desertar. A inveja nua e crua poderá ter motivado esta atitude.

O capitão português está certo de que os que abandonaram a expedição não irão contar a verdade sobre a sucessão de acontecimentos que os fez abandonar a viagem em que seguiam. Deturparão, talvez, a viabilidade do Estreito, ou até mesmo inventarão a sua versão relativa ao motim na Patagónia. O esperado acontece: a 6 de Maio de 1521, seis meses após a deserção, a "San Antonio" regressa a Sevilha, calunia e queixa-se de Magalhães. O arcebispo de Burgos não gosta do que ouve e chegará a colocar a esposa e o filho bebé de Magalhães sob prisão domiciliária.

É de salientar que a nau onde os desertores voltaram à Pátria era a que abastecia, com a maior parte dos mantimentos, a expedição. O seu abandono acaba por deixar quem se encontra num dos três navios sobreviventes numa situação frágil. Todavia, uma estimativa aponta para cerca de duas semanas, no máximo, para completar a travessia ao Pacífico, apesar de ninguém saber as suas verdadeiras dimensões. Se assim for, existe comida suficiente para combater a fome, até ao desembarque. O que Magalhães não contava era ter-se enganado na verdadeira dimensão da Terra: ela é um terço maior do que o que ele imagina. Com esta constatação, todo o seu prognóstico se revelou inválido.

A rota escolhida pelo navegador para atravessar o maior oceano do planeta era ideal no que toca a correntes, ventos e latitude. No entanto, passava ao lado de muitas ilhas, ideais ao desembarque e ao abastecimento das naus. A tripulação acaba por se ver obrigada a comer o couro das amarras, serradura e ratos. Isto levará à morte de cerca de um décimo dos duzentos marinheiros que a constituíam, por questões de subnutrição e escorbuto: marinheiros estes que nunca mais voltariam a pôr os pés em terra firme.
No dia 6 de Março de 1521, as naus avistam terra. Magalhães e a sua expedição, apesar de ainda não terem atravessado por completo todo o Pacífico, tornam concreta a realização da maior viagem marítima já realizada (sensivelmente de um ano e nove meses, até ao momento). Todos, exaustos física e emocionalmente, ancoram num grupo de ilhas habitadas, a cerca de 13º a norte do Equador. É descoberto para a Europa a existência do arquipélago das Marianas, na Micronésia.

 

CHOQUE CULTURAL EM GUAM

O escritor chega a Guam com a ideia de que, se não fosse no âmbito da vida de Magalhães, nunca visitaria tal sítio. Gonçalo Cadilhe dá entrada naquele ilha pertencente ao arquipélago das Marianas a bordo de um avião. Mais tarde, aluga um carro no aeroporto, o qual o irá levar até a um motel, onde ficará hospedado. Durante a condução, são vistas várias coisas: as ruas sem peões e apenas com automobilistas, arranha-céus, hotéis de cinco estrelas e o maior centro K-Mart do mundo, para além de uma quantidade quase infinita de diferentes sucursais de grandes cadeias alimentares mundiais. Mal chega ao lugar onde irá permanecer enquanto a sua estadia em Guam se desenrola, o escritor senta-se na cama, vítima de uma ausência de estímulos, provocado pelo calor e pelo fuso horário.

Ao desembarcar no país onde agora se encontra, Cadilhe vê-se no meio de uma excursão de japoneses e acaba por dar de caras com uma espécie de "luna park" do mar, que vai contra ao que o escritor pensava que aquilo iria ser: um paraíso ancestral ligeiramente moderno, protegido pelo Pacífico.

Obedientemente, a excursão segue o programa previsto, que culmina na visita a um monumento erguido a Magalhães. Aí, o escritor reencontra-a. A baía de Umatac, onde está visível aos olhos de todos uma bonita homenagem ao navegador português, assume uma enorme importância histórica: foi nesse local que os Chamorros (nativos de Guam) se apresentaram aos europeus, e vice-versa.

Pigaffeta (o cronista oficial da expedição) e Francisco Albo (o piloto grego) falam ambos de uma multidão de nativos que saem da baía de Umatac, em direção às três naus comandadas por Magalhães, navegando. Estes deslocavam-se em pirogas leves e muito rápidas, com um estabilizador e uma vela triangular. As Marianas são assim batizadas como as "Ilhas das Velas Latinas". Os Chamorros acabam por subir a bordo sem qualquer medo, e oferecem alimentos frescos aos marinheiros. Seguidamente, iniciam a ingénua recolha de tudo o que lhes atrai a atenção, como o bote da "Trinidad", a nau do capitão-general. Aquele pedaço de terra cercado por mar irá ficar assim conhecido, como a "Ilha dos Ladrões", nos seguintes 150 anos à sua descoberta.
Felizmente, o navegador português e o resto da tripulação conseguiram expulsar das embarcações da os habitantes locais. No dia a seguir, o líder da expedição, por não ter gostado minimamente do atrevimento dos nativos, envia um grupo de homens para castigar os insolentes, bem como para recuperar as suas posses roubadas.

Desta punição resultaram muitas mortes (sobretudo de Chamorros). Também os ilhéus de Guam foram destruídos e os seus bens alimentares roubados.

Um dia mais tarde, os "índios" regressam às naus, oferecendo alimentos, confraternizado, trocando objectos de pouco valor. Em adição, os marinheiros são informados através de gestos da rota em direção à próxima ilha habitada, chamada "Selan".
No quarto dia de permanência nas Marianas, todos estão prontos para partir. Na altura da despedida, os nativos acompanham as naus, nas suas pirogas: num minuto, oferecem peixe e fruta, noutro apedrejam os visitantes. Ainda choram e rogam pragas, enquanto que algumas mulheres arrancam os cabelos, gritando desesperadas. Cadilhe admite não entender a sucessão de acontecimentos decorridos neste importante capítulo da História: a primeira passagem europeia em Guam. 

O escritor volta ao motel, esperando o seu próximo voo para "Selan" que, geograficamente, equivale às actuais Filipinas.
 


 
A TERRA É REDONDA

Magalhães tinha um acordo com Carlos V, acordo esse que dizia que a partir da sexta ilha descoberta para Espanha, o rei permitia a Magalhães escolher uma para si, onde ficaria com a quinzena parte de todas as regalias que de la fossem retiradas. Foi então que Magalhães descobriu um arquipélago com 7.000 ilhas para Espanha, arquipélago esse que se iria chamar de “Ilhas de São Lázaro” devido aos ressuscitar de uma morte iminente de Lázaro, onde faz a travessia inaugural do oceano Pacífico???. Mas ao contrário do que aconteceu com o nome dado por Magalhães ao Oceano Pacífico, o nome dado aos arquipélagos alguns anos depois iria ser mudado por Lopez de Villalobos, para as ainda agora conhecidas Filipinas. Mas o que se pode afirmar é que com as descobertas de Magalhães, Carlos V possuía imensos territórios.
 Com tudo isto a armada das Molucas chega à costa oriental de Samar (uma das 7.000 ilhas do arquipélago) na madrugada de 16 de Março de 1521, com alguns problemas para o desembarque, Magalhães decide ir para sul, contornando a Ilha de Suluan e entrando no golfo de Leyte, onde na ilha de Homonhon desembarcam, até ao dia 25 de Março onde retomam a navegação. No dia 28 de Março, chegam a uma pequena ilha habitada chamada de Limasawa, uma ilha no mar de Mindanao.

Em Manila um taxista escuta interessado as razões que levaram Gonçalo Cadilhe ao seu país, fazendo referencia a Magalhães e Limasawa, o taxista comenta “Ah, Magellan. Claro que sei quem é: foi ele que descobriu que a Terra é redonda”. Em Cebu, Gonçalo Cadilhe apanha um ferry e faz referência ao seu ótimo aspeto e excelentes condições de segurança (Gonçalo Cadilhe sempre ouviu coisas terríveis sobre navegações inter-ilhas); desembarcou no porto de Hilongos, na ilha de Leyte, sem nenhum contratempo e à hora prevista. Gonçalo Cadilhe conta que à medida que se ia afastando de Cebu (a segunda cidade mais importante das Filipinas) se ia passando da modernidade a um ritmo arcaico de movimento. Após Hilongos, segue viagem num autocarro já meio desconchavado, de seguida ainda num jeepney (que por sua vez era um Furgão adaptado) e por fim num riquexó artesanal cheio de passageiros. Quando chega a aldeia de Padre Burgos (uma aldeia na extremidade sul da ilha de Leyte) pensando que os meios de transporte seriam antiquados, enganou-se. Tendo por fim a sua frente a pequena ilha de Limasawa, para onde a passagem era feita por uma piroga rasa, precária, com barras laterais atadas com cordas.

Os Filipinos dirigiram-se a Armada das Moluscas fazendo-lhes perguntas e recebendo respostas. Enrique, o escravo oficial de Magalhães conhecia a língua falada pelos Filipinos, podendo assim comunicar com eles. Criou-se ai um mistério, como poderia Enrique de Malaca, conhecer o idioma das ilhas centrais das Filipinas? A explicação mais provável era Enrique ser um Filipino, raptado por navegadores esclavagistas quando era um miúdo e levado para Malaca. Voltando a Gonçalo Cadilhe, ao embarcar na piroga atravessa uma paisagem lindíssima. Este foi o sítio onde Gonçalo Cadilhe mais se emocionou em toda a sua viagem. Ao terminar a sua viagem, ou seja ao chegar a zona de “desembarque”, caminha até a margem e diz sentir-se num dos lugares mais bonitos do mundo. Subindo ao morro que domina toda a ilha e o pequeno mar que o rodeia, pensa em Enrique e em Magalhães.




O PRIMEIRO DIA

Ainda na ilha de Limasawa (palco da primeira cerimonia diplomática entre a Europa e o Extremo-Oriente pelo caminho do Ocidente), a expedição de Magalhães conclui a primeira travessia do Oceano Pacifico e de alcançar as hoje conhecidas Filipinas.

 A cerimónia diplomática não envergonharia em nenhum aspeto qualquer protocolo moderno atento às diferenças culturais e ao respeito da soberania nacional. Onde se realiza um ritual nativo que é cumprido por ambas as partes com convicção e celebra-se também um ritual europeu no qual os habitantes de Limasawa também participam com convicção.

 A cerimónia nativa chama-se casi casi, esta trata-se de um pacto de sangue onde os dois representantes máximos de cada país, no caso da Espanha o capitão-general Magalhães e o Rei Colambu por parte das colónias ultramarinas. A cerimónia baseia-se num corte no peito, onde se versam os respetivos sangues (quanto baste) numa taça anteriormente recheada com vinho de palma, de seguida mistura-se delicadamente até atingirem o ponto ideal e bebem-no.

A cerimónia europeia chama-se santa missa católica, apostólica, romana. De todas as que celebram durante o ano, esta é a mais importante: a missa da Páscoa, a celebração da Ressurreição de Cristo e a comemoração da ressurreição de uma morte iminente: a travessia inaugural do Oceano Pacífico. No dia 31 de Março, Magalhães desce com a maior parte da tripulação a Limasawa, ergue uma cruz, alça bandeiras, disparam os canhões, simulam torneiros de espadas e assam-se leitões.

 A “missa de Limasawa”, como é conhecida na história das Filipinas, inaugura o cristianismo em território nacional. Neste país extremamente católico, este evento religioso assume uma grande importância.

Magalhães é agora venerado como um apóstolo, pois foi ele o responsável pela introdução do catolicismo nas Filipinas. No folclore nacional Magalhães simboliza a figura do colonizador ocidental que chega a um país que já existe e diz que o descobre e sem pedir opiniões aos habitantes, faz deles súbitos que um rei nunca visto por eles que se encontrava a meio mundo de distância.

Magalhães representa uma figura solar e uma figura negra da História das Filipinas? Em Limasawa ninguém o explicou, e em outras partes do país está ainda por resolver essa contradição.

Limasawa é hoje conhecida internacionalmente, possui um pequeno posto médico, eletricidade quase todos os dias (entre as 17 e as 23 horas), uma estrada cimentada que traça uma linha reta entre as duas costas, e um santuário chamado de “Santuário da primeira missa” com estátuas de barro e quadros nas paredes relacionados com o desembarque da Armada das Molucas.

Dirigindo-se para a colina, onde, no topo, uma cruz recorda a outra que foi erguida pelos marinheiros de Magalhães, um cartaz avisa: “450 degraus até à cruz”. Gonçalo Cadilhe faz as contas e conta que subir estes 450 degraus equivale, lá na terrinha, ir a pé a Fátima. Transpirando, mas valendo o esforço diz que a vista é estupenda, que é o Paraíso ali de cima. Lá em baixo estava uma mão-cheia de choupanas chamadas de Magallanes, mais propriamente Barangay Magallanes, que traduzido para Português daria algo do género como “Lugar de baixo de Magalhães” ou “Casais Magalhães”.

Não há pensões, nem restaurantes, nem água canalizada, há algumas casas com alicerces de cimento, roupa a secar e muitas crianças. Vivem de alguns porcos, muitas galinhas e várias pirogas, ideias para pescar.

Sentado na colina da cruz, Gonçalo Cadilhe recorda outro episódio de origem em Limasawa, e que assumirá também um significado histórico. Pigafetta, cronista e embaixador da Santa Sé na Armada nas Molucas, é escolhido para representar Magalhães num jantar organizado pelo rei Colambu no barangay (que séculos depois se iria chamar de Magallanes). Este jantar decorre antes do ritual casi casi, no dia seguinte a chegada dos europeus; Magalhães envia o elemento mais dispensável da expedição, o cronista que cumpriu o seu papel de embaixador com profissionalismo e sentido de missão que, para não quebrar o protocolo, aceita a comida que é preparada em sua honra. Era dia 29 de Março, sexta-feira, e o prato principal era carne. Pigafetta escreveu:

 Não é por acaso que recordo este episódio quando estou sentado no cimo da colina da cruz de Limasawa e compreendo porque Pigafetta foi castigado apenas quando regressou à Europa e não imediatamente aqui, no lugar do pecado, é que os pecados não se expiam no Paraíso. 


CONTRARIAR O DESTINO EM CEBU
MORTE DE MAGALHÃES 

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